| Imagem de uma das cabeceiras do Ribeirão Arêdes, localizada na Estação Ecológica de Arêdes. "Cachoeira do Meio" |
Sejam bem vindos ao blog da Estação Ecológica de Arêdes ! Aqui Você acompanha o que acontece na Unidade de Conservação situada no município de Itabirito e ainda participa de vários assuntos voltados a importância de conservar o nosso patrimônio natural e histórico cultural.
quinta-feira, 22 de março de 2018
Valorizar a ÁGUA. Valorizar a VIDA !
sexta-feira, 16 de março de 2018
CONSERVAÇÃO A TODA PROVA !
| Imagem de uma das estruturas Arqueológicas na região da Estação Ecológica Estadual de Arêdes. |
Há quase oito anos de criação da
Estação Ecológica Estadual de Arêdes, mais uma vez a Unidade de
Conservação (U.C) é alvo de tentativa de mudança de seu perímetro pelo interesse
de uma pequena empresa.
Esta mudança abre o precedente para causar
vários impactos nas unidades de conservação de Minas Gerais. Especificamente em
Arêdes, essa desafetação pretende tirar a proteção que a Unidade de Conservação
exerce sobre áreas importantes para recarga hídrica da cabeceira do Rio das
Velhas, essências para o abastecimento da cidade de Itabirito. Estas áreas,
contém um importante sítio histórico-arqueológico, localizados em terrenos já
pertencentes ao Estado. Em troca, incluiu-se áreas de outras empresas dentro da
Estação Ecológica, gerando mais conflito e ônus abundante ao Estado, devido a
necessidade de desapropriação.
Tudo isso comprovadamente para beneficiar uma única empresa, esta que foi fintada ao comprar um direito minerário em uma área de preservação ambiental com testemunhos do início da história de Minas Gerais e do Brasil, bem como possuidora de atributos ecológicos únicos, na já injuriada Serra do Pico de Itabirito.
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| Imagem do Ribeirão Arêdes, um dos cursos d'água afluente do Rio Itabirito na Estação Ecológica Estadual de Arêdes. |
O Projeto de Lei (PL) 3.677 teve origem
na Comissão Extraordinária de Barragens, e basicamente propunha formas de
conseguir mais recursos para os órgãos de fiscalização ambiental. Dentro dos órgãos
ambientais estaduais, a proposta de lei era bem vista. Originalmente, o PL
possuía cinco artigos, porém, foi aprovado com 94 artigos. Era para ser uma
lei a favor da fiscalização das barragens de rejeito e da recuperação de áreas
degradadas pela mineração em Minas Gerais, mas acabou se tornando um
Frankenstein que liberou mais de cem hectares de uma área protegida repleta de
ruínas históricas, nascentes e espécies ameaçadas de extinção em favor de uma
mineradora cujas barragens sequer tinham estabilidade garantida, de acordo com
a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam). O artigo 84 deste PL de forma sutil
desafeta importante área da Estação Ecológica de Arêdes. A tentativa de
mascaramento foi tamanha que não há menção à palavra Arêdes no artigo 84, que
determina a supressão da área.
Mesmo sendo uma proposta tecnicamente e
legalmente inviável, a obscura e arbitrária tentativa de desafetação reaparece,
da mesma forma que os trabalhos em prol da proteção dessa área também
continuarão.
| Imagem da Estação Ecológica Estadual de Arêdes. (Trecho de recarga hígrica. Foto 2011) "sair daqui com o corpo, a mente fortalecida para as batalhas que virão" Marielle Franco |
FONTE: O Beltrano. / LEI.A
segunda-feira, 5 de março de 2018
COMUNICADO
Informamos em nome do Instituto Estadual de Florestas que a Estação Ecológica de Mar de Espanha, na Zona da Mata Mineira, está temporariamente fechada em função do risco de contaminação de febre amarela. A medida recomendada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) visa garantir a segurança da população, tendo em vista que foram confirmadas mortes de macacos nessa área, em decorrência da doença. O alerta vale para outras seis unidades de conservação, que não estão fechadas, mas se localizam no entorno de áreas onde houve morte de primatas. Os macacos não transmitem a febre amarela a humanos, mas a morte deles é um indicativo da circulação do vírus. Orientamos a população dessas regiões que procure um posto de saúde e atualize o cartão de vacina. Pessoas entre 9 meses e 59 anos devem se vacinar. Apenas uma dose é suficiente para garantir a proteção ao longo de toda a vida. A cobertura vacinal no Estado de Minas Gerais atingiu 81%, mas a meta é de 95%.
Os Parques Estaduais Serra do Rola Moça e Itacolomi estão com visitação e atividades recreativas temporariamente suspensas. No Parque Serra do Rola Moça, a medida foi adotada depois de um morador de Brumadinho, na Grande BH, ser internado no Espirito Santo com o diagnóstico de febre amarela. Além dele, um vizinho morreu por causa da doença. Os dois casos foram confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
UNIDADE TEMPORARIAMENTE FECHADA:
* Estação Ecológica de Mar de Espanha
UNIDADE COM ATIVIDADES TEMPORAIAMENTE SUSPENSAS:
* Parque Estadual Serra do Rola Moça
* Parque Estadual do Itacolomi
UNIDADES EM ALERTA (Devido à proximidade de áreas onde houve morte de primatas):
* Estação Ecológica do Cercadinho
* Parque Estadual Serra Verde
* Parque Estadual da Baleia
* Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José
* Parque Estadual do Ibitipoca* APA Cachoeira das Andorinhas
* Parque Estadual Serra Verde
* Parque Estadual da Baleia
* Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José
* Parque Estadual do Ibitipoca* APA Cachoeira das Andorinhas
* APA São José
* APA Seminário Menor de Mariana
* EE Arêdes
* EE Tripuí
* FLOE Uaimíi
* MN Itatiaia
* MN Pico do Itabirito
* MN Serra da Moeda
* MN Serra do Gambá
* PE Serra do Ouro Branco
* REVS Libélulas da Serra de São José
* EE Tripuí
* FLOE Uaimíi
* MN Itatiaia
* MN Pico do Itabirito
* MN Serra da Moeda
* MN Serra do Gambá
* PE Serra do Ouro Branco
* REVS Libélulas da Serra de São José
sexta-feira, 2 de março de 2018
A arte em prol da conservação !
Arêdes, no Colo de Minas, chão de Mineiro!
Minas traz em seu colo
Paisagens de fascínio e beleza
Os mais nobres metais
Muitos raros minerais
Lembranças da realeza
Que outrora pisou seu solo
Desde o céu ao pé do morro
Tudo era abençoado
Agora, o bicho fugiu
A lama ofendeu o rio
Mineiro desconsolado
E a vida pede socorro!
Inconteste Arêdes surge
De um patrimônio guardiã
Ferida por mãos indolentes
Sangrando suas nascentes
Esperança do amanhã
Na providência que urge
Sendo joia preciosa
A cobiça a persegue
E com ela a reboque
Certeira como um bodoque
Transtorna o seu talvegue
Por manobra perniciosa
Grito rouco sem alarde
Carecendo de um mais forte
Por uma forte razão
Em defesa do teu chão
Para que o mal deporte
Antes que seja tarde...
Lorena Carmen Folda, Bióloga Esp., responsável pela coordenação executiva dos trabalhos de elaboração do Plano de Manejo da Estação Ecológica Estadual de Arêdes.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Todos unidos em prol da proteção da Estação Ecológica de Arêdes !
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| Imagem (LEI.A.ORG) |
O LEI.A é uma iniciativa da Associação dos Observadores do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, com o apoio do Ministério Público de Minas Gerais. A Associação dos Observadores é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2016. Tem como objetivo a defesa e a conservação do meio ambiente e do patrimônio histórico cultural.
O Lei.A recebe o aval e o apoio do Ministério Público. Desta forma, busca desenvolver as atividades de controle social e empoderamento da população de forma independente, ou seja, sem depender de patrocínios ou apoio de empresas privadas. Por meio da plataforma, é possível pesquisar dados ambientais georreferenciados em todos os municípios mineiros, além de interagir diretamente com os deputados estaduais sobre as leis e mudanças na legislação ambiental.
O blog do Lei.A também disponibiliza notícias atualizadas sobre os processos legislativos ambientais, incluindo uma agenda semanal, e outras informações sobre o tema, sempre com uma forma transparente e de fácil entendimento para todos.
Conforme o Lei.A apurou, a área que ficou desprotegida está no coração da Estação Ecológica de Arêdes e atinge todo o conjunto de ruínas desta unidade de conservação.
Conforme o Lei.A apurou, a área que ficou desprotegida está no coração da Estação Ecológica de Arêdes e atinge todo o conjunto de ruínas desta unidade de conservação.
| Imagem da Estação Ecológica de Arêdes. |
Em 2017, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já havia impedido a mesma proposta de alteração dos limites da Estação Ecológica de Arêdes declarando como inconstitucional a Lei Estadual nº 21.555, de 2014. O pedido foi feito à época pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) após detectar “vícios formais e materiais” na lei.
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| Imagem da Estação Ecológica de Arêdes. |
Fonte: LEIA.ORG.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
EM DEFESA DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE AREDES E CONTRA O ABUSO DO PODER DE LEGISLAR
Olá a todos! Mais uma tentativa de desafetação de importantes áreas da Estação Ecológica de Arêdes vem ocorrendo e pedimos a todos que juntem-se a nós para defesa desse patrimônio histórico e natural e assinem o abaixo assinado para defendermos essa importante área de conservação !!
| Imagem da Estação Ecológica de Arêdes. |
A seguir texto escrito por Marcos Paulo de Souza Miranda, Promotor de Justiça, Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do International Council of Monuments and Sites (ICOMOS-Brasil). Professor de Direito do Patrimônio Cultural.
Todo mineiro que preza conhecer suas raízes bem sabe da importância da mineração na história do descobrimento, formação e desenvolvimento de nosso Estado, Minas Gerais, uma alusão às muitas minas aqui existentes.
Ninguém, em sã consciência, defenderá o fim das atividades minerárias, posto que essenciais para a própria vida de todos nós, eis que os minerais são utilizados como componentes imprescindíveis de equipamentos tecnológicos, insumos agrícolas e mesmo de medicamentos.
De igual forma, ninguém, em sã consciência, deveria defender ou permitir o desenvolvimento de atividades minerárias – sabidamente degradadoras - a qualquer preço, em qualquer lugar, muito menos afrontando decisões judiciais legitimamente pronunciadas por instâncias de segundo grau.
Infelizmente, em nosso país, sobretudo nos últimos tempos, a desfaçatez de políticos tem alcançado patamares de grande altimetria e o desprezo pelo Estado Democrático de Direito, cuja guarda precípua toca ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, mostra-se estampado nas primeiras páginas dos jornais que folheamos a cada dia, com veladas ou declaradas manifestações de insubordinação às decisões dos tribunais brasileiros. Um verdadeiro ensaio à anomia.
Exemplo contundente de tal lamentável estado de coisas foi a sanção, pelo Governador Fernando Damata Pimentel, em 28 de dezembro de 2017, da Lei nº 22.796/17, que retirou a proteção de boa parte da Estação Ecológica de Aredes, unidade de conservação estadual situada entre Itabirito e a Serra da Moeda, abrindo caminho para que determinada empresa de mineração possa atuar e destruir o meio ambiente e as ruínas históricas dos primórdios de Minas Gerais existentes naquele rincão.
A referida previsão normativa, marcada por direcionamento escancarado e sem qualquer fundamentação, foi enxertada por emenda parlamentar à undécima hora, no apagar das luzes do ano, em um projeto de lei que tratava de assunto diverso, configurando a chamada “emenda Frankstein”, proibida pelo ordenamento jurídico vigente.
O grau de desfaçatez ganha contornos mais proeminentes se levarmos em conta que lei decorrente de manobra de idêntico teor, desafetando parte da Estação Ecológica de Aredes, igualmente fabricada nas penumbras do Poder Legislativo, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por decisão unânime do Órgão Especial, em acórdão de relatoria do Eminente Desembargador Adalbert Delage (TJMG - Ação Direta Inconst 1.0000.15.050708-5/000, Relator Des. Audebert Delage, julgamento em 22/02/2017, publicação da súmula em 24/03/2017).
Ora, o Poder Legislativo é um dos sustentáculos basilares do Estado Democrático de Direito, sendo sua atuação imprescindível para a efetivação das missões conferidas ao ente estatal. Contudo, não se pode confundir o poder de legislar com o abuso do poder de legislar. Há limites éticos e jurídicos que separam uma situação de outra. No caso do qual tratamos, afigura-nos como evidente o desvio de finalidade da norma originalmente proposta e, mais, salta aos olhos a insubordinação e o desrespeito à decisão unânime do nosso Tribunal de Justiça sobre caso idêntico. Infeliz do povo que não respeita seus Juízes.
Tamanha a importância ambiental, histórica e paisagística da região de Aredes, que abriga remanescentes arquitetônicos dos primórdios da exploração do ouro e é responsável pelo abastecimento de água de boa parte do município de Itabirito, que as primeiras medidas para a sua proteção remontam ao ano de 1953, quando o Governador do Estado Juscelino Kubitschek de Oliveira, com sua visão de futuro e compromisso com os altos valores de Minas Gerais, sancionou a Lei nº 1.009, de 10 de novembro de 1953, criando a Estância Hidromineral de Itabirito, com objetivos conservacionistas.
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| Imagem da Estação Ecológica de Arêdes. |
Pelo Decreto nº 5867, de 1960, o Governador José Francisco Bias Fortes autorizou a desapropriação da área, que passou a integrar o patrimônio público do Estado de Minas Gerais, devidamente registrado no Cartório de Registro de Imóveis de Itabirito.
Na toada da implementação do sonho inicial de Juscelino Kubitschek, a Lei nº 7.454, de 1978, sancionada pelo Governador Levindo Ozanan Coelho, determinou que a área de terreno então destinada à Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC – visa à “proteção dos mananciais de águas quentes, existentes no imóvel, e à instalação do Centro de Altos Estudos – CAE, da Área de Experimentação do CETEC e do Museu Ecológico, desdobrado em Horto, Parque, Reserva Natural e Núcleo Científico-Educacional, que exercerão, no local, atividades científicas e culturais de interesse do Estado”.
Dando ainda maior concretude à proteção necessária à importantíssima região, o Governador Antônio Augusto Junho Anastasia, por meio do Decreto nº 4.397/2010, criou a Estação Ecológica de Aredes, estabelecendo como seus objetivos essenciais: I - o complexo arqueológico de Arêdes e todas as suas ocorrências e vestígios; II - os antigos conjuntos de ruínas das Fazendas Arêdes e Águas Quentes: casa sede, senzala, capela e curral de pedras; III - os remanescentes florestais e campestres em diferentes estágios de sucessão ecológica; IV - os mananciais que convergem para a bacia hidrográfica onde ocorre captação de água para abastecimento humano; e V - o desenvolvimento de pesquisas em restauração de ecossistemas modificados, conforme disposto no § 4º do art. 8º da Lei Federal nº 9.985 de 18 de julho de 2000.
Destaque-se que toda a área da unidade de conservação, que conta com plano de manejo, infraestrutura em adiantada fase de planejamento e execução pelo IEF e recursos de medidas compensatórias já assegurados pela atuação do Ministério Público, é de integral propriedade do Estado (situação excepcional no quadro fundiário dos parques ambientais de Minas).
Ou seja, houve a desafetação de terras de propriedade da coletividade mineira para que fossem entregues a interesses econômicos de uma empresa mineradora.
Talvez uma das mais ardilosas, promíscuas e escancaradas manobras encetadas no seio do Governo de Minas, sabidamente refém dos interesses minerários capitaneados por empresas assaz responsáveis pelo patrocínio de candidaturas políticas, cegas pela ambição dos cifrões e incapazes de compreender o significado de ética, respeito e desenvolvimento sustentável.
Triste quadro da história das Minas Gerais.
Mas confio que ainda há Juízes em Berlim.
Esperemos.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
SEMPRE PRESENTE ! ! !
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| Lobo Guará e filhote. (Imagem da internet). |
Olá amigos da conservação, continuamos aqui, mostrando o que vem acontecendo na Estação Ecológica de Arêdes, nas atividades em prol da preservação da região que guarda atributos naturais únicos bem como estruturas arqueológicas que são patrimônio histórico da coletividade.
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| veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) na região do complexo arqueológico na Estação Ecológica de Arêdes. |
Apesar do período sem postagens e mesmo com um baixo efetivo, os trabalhos na Unidade de Conservação não param! Pesquisas científicas, Plano de Manejo, Conselho Consultivo, trabalhos de educação ambiental e patrimonial, e demais atividades relacionadas serão notícias das próximas postagens. Continuem acompanhando ! ! !
terça-feira, 8 de novembro de 2016
A CARTA MAXALALAGÁ...
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Ave maxalalagá (Micropygia schomburgkii). Imagem da internet. |
Carta Maxalalagá
A
maxalalagá (Micropygia schomburgkii)
é uma diminuta ave pertencente à família Rallidae, da qual fazem parte as
saracuras e os frangos-d’água. Contudo, apesar do seu estreito parentesco com
estas aves paludícolas, que geralmente habitam brejos e alagados, a maxalalagá
prefere áreas secas e com capim nativo, principalmente os campos típicos do
bioma Cerrado. Devido ao seu pequeno tamanho – mede apenas 15 cm – e hábitos
crípticos, é uma ave raramente vista, passando facilmente despercebida na
paisagem, uma vez que a maneira mais fácil de realizar sua identificação é
através do seu canto característico. Talvez por isso tenham se passado tantos
anos sem que ninguém notasse sua presença na região de Itabirito. Em Minas Gerais,
esta ave era conhecida somente das regiões do Triângulo Mineiro e da Serra da
Canastra, e apenas recentemente (2012) foi descoberta no Quadrilátero
Ferrífero.
Ultimamente
tem crescido o número de registros da maxalalagá nesta região, um fato animador,
tendo em vista que a espécie é considerada “em perigo” de extinção no estado de
Minas Gerais. Estes novos registros podem ter relação com o aumento do
conhecimento da biologia e vocalização da espécie por parte dos biólogos, como
também pode refletir um aumento da atenção dada aos campos nativos de Cerrado,
originalmente negligenciados – a maior parte da população vê tais áreas como
meros pastos - e que tem se tornado cada vez mais raros e ameaçados no
Quadrilátero Ferrífero, a despeito do seu comprovado valor ecológico. Não
somente a maxalalagá habita tais campos, como inúmeras outras aves ameaçadas de
extinção e extremamente raras na região, como o tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), o
caminheiro-grande (Anthus nattereri),
o papa-moscas-do-campo (Culicivora
caudacuta), a corruíra-do-campo (Cistothorus
platensis), além de mamíferos como o logo-guará (Chrysocyon brachyurus) e a raposinha (Lycalopex vetulus).
Dentre
as áreas que ainda possuem remanescentes relevantes de campos nativos (i.e.
campos limpos, campos sujos e cerrado ralo) no município de Itabirito,
destacam-se a Estação Ecológica Estadual de Arêdes (EEE Arêdes) e o Monumento
Natural Estadual da Serra da Moeda (MNE Serra da Moeda). Embora estas unidades
de conservação ainda possuam algumas áreas importantes para a conservação das
espécies supracitadas, as pressões antrópicas do entorno tem crescido em tons
alarmantes. A expansão urbana desordenada e a forte presença de mineradoras na
região são uma grande ameaça para a sobrevivência das aves e demais animais
associados a este tipo de vegetação que está desaparecendo rapidamente. Não
fosse o bastante, em tempos recentes tem surgido uma nova ameaçada para os
campos de Cerrado no entorno da EEE Arêdes e MNE Serra da Moeda: a Silvicultura.
Diversos plantios de eucaliptos (Eucalyptus
sp.) tem surgido na área de forma desordenada e a uma velocidade
impressionante (Figura 1),
sem qualquer tipo de planejamento e licenciamento. A substituição dos campos
nativos por eucaliptais diminui o habitat disponível para as espécies e impede
o deslocamento das mesmas entre os fragmentos remanescentes, podendo gerar a
extinção local de diversas populações. Estas atividades devem ser vistas com extrema
cautela e alvo de melhor planejamento no futuro, visando à conservação dos
animais e habitats tão ameaçados que ocorrem no entorno da EE Arêdes e do MNE
Serra da Moeda. Assim, as gerações futuras poderão lembrar da maxalalagá como
um símbolo de preservação da região, e não como mais uma espécie que entrou
para a lista das extintas.
Figura 1.
Avanço
desordenado dos plantios de eucalipto (Eucalyptus
sp.), indicados pelas setas amarelas, no entorno da Estação Ecológica
Estadual de Arêdes, Itabirito, MG. Fonte: Google EarthTM.
Esta é uma iniciativa dos participantes da Semana
Florestal, promovida pelo Instituto Estadual de Florestas – IEF, em 04 de outubro
de 2016, realizado no auditório do IFMG, município de Itabirito, que em
plenária, aprovaram – às vésperas do “Dia da Ave” – a presente Carta, destinada
às autoridades municipais e
solicitando a atenção da Promotora de Justiça, como forma de alerta e preocupação
à existência de um grande número de
projetos de lei tramitando na Câmara Municipal para mudar o Plano Diretor e a
Lei de Uso e de Ocupação do Solo e que representam uma ameaça a preservação das
áreas de campo nativo.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
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