Sejam bem vindos ao blog da Estação Ecológica de Arêdes ! Aqui Você acompanha o que acontece na Unidade de Conservação situada no município de Itabirito e ainda participa de vários assuntos voltados a importância de conservar o nosso patrimônio natural e histórico cultural.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Valorizar a ÁGUA. Valorizar a VIDA !

Imagem de uma das cabeceiras do Ribeirão Arêdes, localizada na Estação Ecológica de Arêdes. "Cachoeira do Meio"

    Olá amigos da conservação ! Estamos aqui, hoje dia 22 de Março o "Dia Mundial da Água", data comemorativa criada pela ONU  em 1983 para lembrarmos da importância de cuidarmos do bem primordial para existência da vida, a Água. Em 2018, o tema abordará o uso de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas de gestão dos recursos hídricos. Com a campanha “A resposta está na natureza”, as Nações Unidas abordarão como estratégias de preservação e restauração ambiental podem proteger o ciclo da água e melhorar a qualidade de vida da população. Mas e nós, os seres humanos, o que temos realmente feito para poupar e preservar de fato este bem tão precioso?

Imagem da internet: Site: WWF Brasil.

  A Estação Ecológica Estadual de Arêdes garante a proteção de vários cursos d'água , nascentes e regiões de recarga hídrica que contribuem para o abastecimento da região de Itabirito. Lembrando que um dos objetivos de criação da Unidade de Conservação é justamente este, garantir a preservação destes mananciais. Assim lembramos que é responsabilidade de  todos cuidar deste bem, fundamental para nossa vida... E assim seguimos com os trabalhos em prol da conservação.


Córrego Benevides, na Estação Ecológica Estadual de Arêdes.




A Resposta está na natureza!




sexta-feira, 16 de março de 2018

CONSERVAÇÃO A TODA PROVA !


Imagem de uma das estruturas Arqueológicas na região da Estação Ecológica Estadual de Arêdes.

   Há quase oito anos de criação da Estação Ecológica Estadual de Arêdes, mais uma vez a Unidade de Conservação (U.C) é alvo de tentativa de mudança de seu perímetro pelo interesse de uma pequena empresa.

 Esta mudança abre o precedente para causar vários impactos nas unidades de conservação de Minas Gerais. Especificamente em Arêdes, essa desafetação pretende tirar a proteção que a Unidade de Conservação exerce sobre áreas importantes para recarga hídrica da cabeceira do Rio das Velhas, essências para o abastecimento da cidade de Itabirito. Estas áreas, contém um importante sítio histórico-arqueológico, localizados em terrenos já pertencentes ao Estado. Em troca, incluiu-se áreas de outras empresas dentro da Estação Ecológica, gerando mais conflito e ônus abundante ao Estado, devido a necessidade de desapropriação.

 Tudo isso comprovadamente para beneficiar uma única empresa, esta que foi fintada ao comprar um direito minerário em uma área de preservação ambiental com testemunhos do início da história de Minas Gerais e do Brasil, bem como possuidora de atributos ecológicos únicos, na já injuriada Serra do Pico de Itabirito.
                                                                  
Imagem do Ribeirão Arêdes, um dos cursos d'água afluente do Rio Itabirito na Estação Ecológica Estadual de Arêdes.

 
    O Projeto de Lei (PL) 3.677 teve origem na Comissão Extraordinária de Barragens, e basicamente propunha formas de conseguir mais recursos para os órgãos de fiscalização ambiental. Dentro dos órgãos ambientais estaduais, a proposta de lei era bem vista. Originalmente, o PL possuía cinco artigos, porém, foi aprovado com 94 artigos. Era para ser uma lei a favor da fiscalização das barragens de rejeito e da recuperação de áreas degradadas pela mineração em Minas Gerais, mas acabou se tornando um Frankenstein que liberou mais de cem hectares de uma área protegida repleta de ruínas históricas, nascentes e espécies ameaçadas de extinção em favor de uma mineradora cujas barragens sequer tinham estabilidade garantida, de acordo com a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam). O artigo 84 deste PL de forma sutil desafeta importante área da Estação Ecológica de Arêdes. A tentativa de mascaramento foi tamanha que não há menção à palavra Arêdes no artigo 84, que determina a supressão da área. 

Mesmo sendo uma proposta tecnicamente e legalmente inviável, a obscura e arbitrária tentativa de desafetação reaparece, da mesma forma que os trabalhos em prol da proteção dessa área também continuarão.





Imagem da Estação Ecológica Estadual de Arêdes. (Trecho de recarga hígrica. Foto 2011)


 "sair daqui com o corpo, a mente fortalecida para as batalhas que virão"

                                                                                              
                                                                                                      Marielle Franco


FONTE: O Beltrano. / LEI.A





segunda-feira, 5 de março de 2018

COMUNICADO


Informamos em nome do Instituto Estadual de Florestas que a Estação Ecológica de Mar de Espanha, na Zona da Mata Mineira, está temporariamente fechada em função do risco de contaminação de febre amarela. A medida recomendada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) visa garantir a segurança da população, tendo em vista que foram confirmadas mortes de macacos nessa área, em decorrência da doença. O alerta vale para outras seis unidades de conservação, que não estão fechadas, mas se localizam no entorno de áreas onde houve morte de primatas. Os macacos não transmitem a febre amarela a humanos, mas a morte deles é um indicativo da circulação do vírus. Orientamos a população dessas regiões que procure um posto de saúde e atualize o cartão de vacina. Pessoas entre 9 meses e 59 anos devem se vacinar. Apenas uma dose é suficiente para garantir a proteção ao longo de toda a vida. A cobertura vacinal no Estado de Minas Gerais atingiu 81%, mas a meta é de 95%.

Os Parques Estaduais Serra do Rola Moça e Itacolomi estão com visitação e atividades recreativas temporariamente suspensas. No Parque Serra do Rola Moça, a medida foi adotada depois de um morador de Brumadinho, na Grande BH, ser internado no Espirito Santo com o diagnóstico de febre amarela. Além dele, um vizinho morreu por causa da doença. Os dois casos foram confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

UNIDADE TEMPORARIAMENTE FECHADA:
* Estação Ecológica de Mar de Espanha

UNIDADE COM ATIVIDADES TEMPORAIAMENTE SUSPENSAS:
* Parque Estadual Serra do Rola Moça
* Parque Estadual do Itacolomi

UNIDADES EM ALERTA (Devido à proximidade de áreas onde houve morte de primatas):
* Estação Ecológica do Cercadinho
* Parque Estadual Serra Verde 
* Parque Estadual da Baleia
* Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José
* Parque Estadual do Ibitipoca* APA Cachoeira das Andorinhas
* APA São José
* APA Seminário Menor de Mariana
* EE Arêdes
* EE Tripuí
* FLOE Uaimíi
* MN Itatiaia
* MN Pico do Itabirito
* MN Serra da Moeda
* MN Serra do Gambá
* PE Serra do Ouro Branco
* REVS Libélulas da Serra de São José

sexta-feira, 2 de março de 2018

A arte em prol da conservação !

Imagem da Estação Ecológica de Arêdes.

 Arêdes, no Colo de Minas, chão de Mineiro!

Minas traz em seu colo
Paisagens de fascínio e beleza
Os mais nobres metais
Muitos raros minerais
Lembranças da realeza
Que outrora pisou seu solo

Desde o céu ao pé do morro
Tudo era abençoado
Agora, o bicho fugiu
A lama ofendeu o rio
Mineiro desconsolado 
E a vida pede socorro! 

Inconteste Arêdes surge
De um patrimônio guardiã
Ferida por mãos indolentes
Sangrando suas nascentes
Esperança do amanhã
Na providência que urge

Sendo joia preciosa
A cobiça a persegue
E com ela a reboque
Certeira como um bodoque
Transtorna o seu talvegue
Por manobra perniciosa

Grito rouco sem alarde
Carecendo de um mais forte
Por uma forte razão
Em defesa do teu chão
Para que o mal deporte
Antes que seja tarde...  

Lorena Carmen Folda, Bióloga Esp., responsável pela coordenação executiva dos trabalhos de elaboração do Plano de Manejo da Estação Ecológica Estadual de Arêdes. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Todos unidos em prol da proteção da Estação Ecológica de Arêdes !

Imagem (LEI.A.ORG)

O LEI.A é uma iniciativa da Associação dos Observadores do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, com o apoio do Ministério Público de Minas Gerais. A Associação dos Observadores é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2016. Tem como objetivo a defesa e a conservação do meio ambiente e do patrimônio histórico cultural. 

O Lei.A recebe o aval e o apoio do Ministério Público. Desta forma, busca desenvolver as atividades de controle social e empoderamento da população de forma independente, ou seja, sem depender de patrocínios ou apoio de empresas privadas. Por meio da plataforma, é possível pesquisar dados ambientais georreferenciados em todos os municípios mineiros, além de interagir diretamente com os deputados estaduais sobre as leis e mudanças na legislação ambiental. 


O  blog do Lei.A também disponibiliza notícias atualizadas sobre os processos legislativos ambientais, incluindo uma agenda semanal, e outras informações sobre o tema, sempre com uma forma transparente e de fácil entendimento para todos.

Conforme o Lei.A apurou, a área que ficou desprotegida está no coração da Estação Ecológica de Arêdes e atinge todo o conjunto de ruínas desta unidade de conservação. 



Imagem da Estação Ecológica de Arêdes.

Em 2017, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já havia impedido a mesma proposta de alteração dos limites da Estação Ecológica de Arêdes declarando como inconstitucional a Lei Estadual nº 21.555, de 2014. O pedido foi feito à época pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) após detectar “vícios formais e materiais” na lei.
Imagem da Estação Ecológica de Arêdes.


Fonte: LEIA.ORG.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

EM DEFESA DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE AREDES E CONTRA O ABUSO DO PODER DE LEGISLAR

Olá a todos! Mais uma tentativa de desafetação  de importantes áreas da Estação Ecológica de Arêdes vem ocorrendo e pedimos a todos que juntem-se a nós para defesa desse patrimônio histórico e natural e assinem o abaixo assinado para defendermos essa importante área de conservação !! 
                   
Imagem da Estação Ecológica de Arêdes.
                             

A seguir texto escrito por Marcos Paulo de Souza Miranda, Promotor de Justiça, Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do International Council of Monuments and Sites (ICOMOS-Brasil). Professor de Direito do Patrimônio Cultural.
  Todo mineiro que preza conhecer suas raízes bem sabe da importância da mineração na história do descobrimento, formação e desenvolvimento de nosso Estado, Minas Gerais, uma alusão às muitas minas aqui existentes.
Ninguém, em sã consciência, defenderá o fim das atividades minerárias, posto que essenciais para a própria vida de todos nós, eis que os minerais são utilizados como componentes imprescindíveis de equipamentos tecnológicos, insumos agrícolas e mesmo de medicamentos. 
De igual forma, ninguém, em sã consciência, deveria defender ou permitir o desenvolvimento de atividades minerárias – sabidamente degradadoras -  a qualquer preço, em qualquer lugar, muito menos afrontando decisões judiciais legitimamente pronunciadas por instâncias de segundo grau.
Infelizmente, em nosso país, sobretudo nos últimos tempos, a desfaçatez de políticos tem alcançado patamares de grande altimetria e o desprezo pelo Estado Democrático de Direito, cuja guarda precípua toca ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, mostra-se estampado nas primeiras páginas dos jornais que folheamos a cada dia, com veladas ou declaradas manifestações de insubordinação às decisões dos tribunais brasileiros. Um verdadeiro ensaio à anomia.
Exemplo contundente de tal lamentável estado de coisas  foi a sanção, pelo Governador Fernando Damata Pimentel, em 28 de dezembro de 2017, da Lei nº 22.796/17, que retirou a proteção de boa parte da Estação Ecológica de Aredes, unidade de conservação estadual situada entre Itabirito e a Serra da Moeda, abrindo caminho para que determinada empresa de mineração possa atuar e destruir o meio ambiente e as ruínas históricas dos primórdios de Minas Gerais existentes naquele rincão.
A referida previsão normativa, marcada por direcionamento escancarado e sem qualquer fundamentação, foi enxertada por emenda parlamentar à undécima hora, no apagar das luzes do ano, em um projeto de lei que tratava de assunto diverso, configurando a chamada “emenda Frankstein”, proibida pelo ordenamento jurídico vigente.
O grau de desfaçatez ganha contornos mais  proeminentes se levarmos em conta que lei decorrente de manobra de idêntico teor, desafetando parte da Estação Ecológica de Aredes, igualmente fabricada nas penumbras do Poder Legislativo, foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por decisão unânime do Órgão Especial,  em acórdão de relatoria do Eminente Desembargador Adalbert Delage (TJMG -  Ação Direta Inconst  1.0000.15.050708-5/000, Relator Des. Audebert Delage, julgamento em 22/02/2017, publicação da súmula em 24/03/2017).
Ora, o Poder Legislativo é um dos sustentáculos basilares do Estado Democrático de Direito, sendo sua atuação imprescindível para a efetivação das missões conferidas ao ente estatal. Contudo, não se pode confundir o poder de legislar com o abuso do poder de legislar. Há limites éticos e jurídicos que separam uma situação de outra.  No  caso do qual tratamos, afigura-nos como evidente o desvio de finalidade da norma originalmente proposta e, mais, salta aos olhos  a insubordinação e o desrespeito à decisão unânime do nosso Tribunal de Justiça sobre caso idêntico. Infeliz do povo que não respeita seus Juízes.
Tamanha a importância ambiental, histórica e paisagística da região de Aredes, que abriga remanescentes arquitetônicos dos primórdios da exploração do ouro e é responsável pelo abastecimento de água de boa parte do município de Itabirito, que as primeiras medidas para a  sua proteção remontam ao ano de 1953, quando o Governador do Estado Juscelino Kubitschek de Oliveira, com sua visão de futuro e compromisso com os altos valores de Minas Gerais, sancionou a Lei nº 1.009, de 10 de novembro de 1953, criando a Estância Hidromineral de Itabirito, com objetivos conservacionistas.

Imagem da Estação Ecológica de Arêdes.

Pelo Decreto nº 5867, de 1960, o Governador José Francisco Bias Fortes autorizou a desapropriação da área, que passou a integrar o patrimônio público do Estado de Minas Gerais, devidamente registrado no Cartório de Registro de Imóveis de Itabirito.
Na toada da implementação do sonho inicial de Juscelino Kubitschek, a Lei  nº 7.454, de 1978, sancionada pelo Governador Levindo Ozanan Coelho,  determinou que a área de terreno então destinada à Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC – visa à “proteção dos mananciais de águas quentes, existentes no imóvel, e à instalação do Centro de Altos Estudos – CAE, da Área de Experimentação do CETEC e do Museu Ecológico, desdobrado em Horto, Parque, Reserva Natural e Núcleo Científico-Educacional, que exercerão, no local, atividades científicas e culturais de interesse do Estado”.
Dando ainda maior concretude à proteção necessária à importantíssima região, o Governador Antônio Augusto Junho Anastasia, por meio do Decreto nº 4.397/2010, criou a Estação Ecológica de Aredes, estabelecendo como seus objetivos essenciais: I - o complexo arqueológico de Arêdes e todas as suas ocorrências e vestígios; II - os antigos conjuntos de ruínas das Fazendas Arêdes e Águas Quentes: casa sede, senzala, capela e curral de pedras; III - os remanescentes florestais e campestres em diferentes estágios de sucessão ecológica; IV - os mananciais que convergem para a bacia hidrográfica onde ocorre captação de água para abastecimento humano; e V - o desenvolvimento de pesquisas em restauração de ecossistemas modificados, conforme disposto no § 4º do art. 8º da Lei Federal nº 9.985 de 18 de julho de 2000.
Destaque-se que toda a área da unidade de conservação, que conta com plano de manejo, infraestrutura em adiantada fase de planejamento e execução pelo IEF e recursos de medidas compensatórias já assegurados pela atuação do Ministério Público, é de integral propriedade do Estado (situação excepcional no quadro fundiário dos parques ambientais de Minas).
Ou seja, houve a desafetação de terras de propriedade da coletividade mineira para que fossem entregues a interesses econômicos de uma empresa mineradora.
Talvez uma das mais ardilosas, promíscuas e escancaradas manobras encetadas no seio do Governo de Minas, sabidamente refém dos interesses minerários capitaneados por empresas assaz responsáveis pelo patrocínio de candidaturas políticas, cegas pela ambição dos cifrões e incapazes de compreender o significado de ética, respeito e desenvolvimento sustentável.
Triste quadro da história das Minas Gerais.
Mas confio que ainda há Juízes em Berlim.
Esperemos.                                            

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

SEMPRE PRESENTE ! ! !


Lobo Guará e filhote. (Imagem da internet).
     Olá amigos da conservação, continuamos aqui, mostrando o que vem acontecendo na Estação Ecológica de Arêdes, nas atividades em prol da preservação da região que guarda atributos naturais únicos bem como estruturas arqueológicas que são patrimônio histórico da coletividade.
            
 veado-campeiro  (Ozotoceros bezoarticus) na região do complexo arqueológico na Estação Ecológica de Arêdes.

    Apesar do período sem postagens e mesmo com um baixo efetivo, os trabalhos na Unidade de Conservação não param! Pesquisas científicas, Plano de Manejo, Conselho Consultivo, trabalhos de educação ambiental e patrimonial, e demais atividades relacionadas serão notícias das próximas postagens. Continuem acompanhando ! ! !

Lobo Guará na região do Complexo Arqueológico de Arêdes.






   









terça-feira, 8 de novembro de 2016

A CARTA MAXALALAGÁ...


Ave maxalalagá (Micropygia schomburgkii). Imagem da internet. 



Carta Maxalalagá

A maxalalagá (Micropygia schomburgkii) é uma diminuta ave pertencente à família Rallidae, da qual fazem parte as saracuras e os frangos-d’água. Contudo, apesar do seu estreito parentesco com estas aves paludícolas, que geralmente habitam brejos e alagados, a maxalalagá prefere áreas secas e com capim nativo, principalmente os campos típicos do bioma Cerrado. Devido ao seu pequeno tamanho – mede apenas 15 cm – e hábitos crípticos, é uma ave raramente vista, passando facilmente despercebida na paisagem, uma vez que a maneira mais fácil de realizar sua identificação é através do seu canto característico. Talvez por isso tenham se passado tantos anos sem que ninguém notasse sua presença na região de Itabirito. Em Minas Gerais, esta ave era conhecida somente das regiões do Triângulo Mineiro e da Serra da Canastra, e apenas recentemente (2012) foi descoberta no Quadrilátero Ferrífero.
Ultimamente tem crescido o número de registros da maxalalagá nesta região, um fato animador, tendo em vista que a espécie é considerada “em perigo” de extinção no estado de Minas Gerais. Estes novos registros podem ter relação com o aumento do conhecimento da biologia e vocalização da espécie por parte dos biólogos, como também pode refletir um aumento da atenção dada aos campos nativos de Cerrado, originalmente negligenciados – a maior parte da população vê tais áreas como meros pastos - e que tem se tornado cada vez mais raros e ameaçados no Quadrilátero Ferrífero, a despeito do seu comprovado valor ecológico. Não somente a maxalalagá habita tais campos, como inúmeras outras aves ameaçadas de extinção e extremamente raras na região, como o tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), o caminheiro-grande (Anthus nattereri), o papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta), a corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), além de mamíferos como o logo-guará (Chrysocyon brachyurus) e a raposinha (Lycalopex vetulus).
Dentre as áreas que ainda possuem remanescentes relevantes de campos nativos (i.e. campos limpos, campos sujos e cerrado ralo) no município de Itabirito, destacam-se a Estação Ecológica Estadual de Arêdes (EEE Arêdes) e o Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda (MNE Serra da Moeda). Embora estas unidades de conservação ainda possuam algumas áreas importantes para a conservação das espécies supracitadas, as pressões antrópicas do entorno tem crescido em tons alarmantes. A expansão urbana desordenada e a forte presença de mineradoras na região são uma grande ameaça para a sobrevivência das aves e demais animais associados a este tipo de vegetação que está desaparecendo rapidamente. Não fosse o bastante, em tempos recentes tem surgido uma nova ameaçada para os campos de Cerrado no entorno da EEE Arêdes e MNE Serra da Moeda: a Silvicultura. Diversos plantios de eucaliptos (Eucalyptus sp.) tem surgido na área de forma desordenada e a uma velocidade impressionante (Figura 1), sem qualquer tipo de planejamento e licenciamento. A substituição dos campos nativos por eucaliptais diminui o habitat disponível para as espécies e impede o deslocamento das mesmas entre os fragmentos remanescentes, podendo gerar a extinção local de diversas populações. Estas atividades devem ser vistas com extrema cautela e alvo de melhor planejamento no futuro, visando à conservação dos animais e habitats tão ameaçados que ocorrem no entorno da EE Arêdes e do MNE Serra da Moeda. Assim, as gerações futuras poderão lembrar da maxalalagá como um símbolo de preservação da região, e não como mais uma espécie que entrou para a lista das extintas.

Figura 1. Avanço desordenado dos plantios de eucalipto (Eucalyptus sp.), indicados pelas setas amarelas, no entorno da Estação Ecológica Estadual de Arêdes, Itabirito, MG. Fonte: Google EarthTM.


Esta é uma iniciativa dos participantes da Semana Florestal, promovida pelo Instituto Estadual de Florestas – IEF, em 04 de outubro de 2016, realizado no auditório do IFMG, município de Itabirito, que em plenária, aprovaram – às vésperas do “Dia da Ave” – a presente Carta, destinada às autoridades municipais e solicitando a atenção da Promotora de Justiça, como forma de alerta e preocupação à existência de um grande número de projetos de lei tramitando na Câmara Municipal para mudar o Plano Diretor e a Lei de Uso e de Ocupação do Solo e que representam uma ameaça a preservação das áreas de campo nativo.